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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Esperanto


ESPERANTO é um idioma chamado de artificial, ou seja, não natural, criado por alguém. No caso desta língua, o seu criador foi o polonês Lázaro Luiz Zamenhof. O primeiro manual prático, com as 16 regras básicas, mais todos detalhes de aprendizado e pronúncias fora editado no ano de 1887.
Ao contrário do que algumas pessoas leigas pensam, o Esperanto não é uma língua morta, pois ela não é natural e de contra partida muita gente em todo o mundo ainda a pratica, a estuda e a divulga. Há muitos grupos de estudos em milhares de cidades no mundo inteiro. Próximo à Cambuí temos grupos de estudos e difusão em Pouso Alegre.
O principal pensamento por traz do Esperanto é apenas o melhor entendimento entre as pessoas de países e línguas naturais adversos. Seu lema é: “Para cada povo sua própria língua, para todos o Esperanto!”. Não é a intenção ficar no lugar de idioma nenhum, apenas ser uma segunda língua, sem que seja usada uma língua natural de um determinado país.

O inglês hoje é dado por algumas pessoas como o idioma universal, mas esbarra no xenofobismo de algumas outras. Portanto só um idioma neutro, como o Esperanto, pode suprir esta necessidade de entendimento.
O aprendizado é facílimo, pois Zamenhof utiliza radicais comuns nas línguas mais comuns e populares do mundo. Além de um sistema de prefixos e sufixos invariáveis, dando uma melhor concordância de palavras e fácil entendimento por quem estuda e pratica. É um idioma extremamente fonético, onde os sons das letras não varia. Todas as palavras com mais de uma sílaba são paroxítonas, assim facilitando a pronúncia.
O idioma Esperanto é expressivamente fonético, ou seja, a pronúncia é de suma importância para o entendimento em uma conversação. Para tanto é primordial que os sons das letras sejam devidamente destacados. Pensando nisso, Lázaro Luiz Zamenhof (polonês criador do idioma) criou um alfabeto particular, e sons característicos para cada letra, assim como 16 regras básicas.
A regra primeira e primordial é que cada letra tem seu som próprio e invariável. Por exemplo a letra “e”, que em nosso português pode ter som de “i”, de “é” e ainda de “ê”. Assim podemos usar a mesma letra para palavras como: “velho”, onde a tônica é a sílaba “ve”, com a vogal tendo som aberto. E também “mesmo”, onde a tônica é “me”, tendo desta vez a vogal som fechado e circunflexo. Nota-se uma variável entre os sons das letras, que podemos destacar ainda o caso da letra “o”, que em nosso idioma pode ser pronunciado como “ó”, “ô” e até como “u”, em algumas palavras. No Esperanto o “e” é sempre pronunciado com o som de “ê”, como na palavra “mesmo”, que usamos com o exemplo, e o “o” tem sempre o som de “ô”, como em “ôgro”. Isso é invariável. Se em uma conversa entre dois esperantistas um deles pronunciar o “e” com o som aberto, como a própria palavra “aberto”, o companheiro de conversa poderá não compreender devidamente a palavra em si.
Você deve estar pensando que isso é muito difícil de se aprender e se acostumar. Mas este pensamento é levado pelos vários vícios de linguagem que assimilamos com o decorrer do tempo, assim como as gírias, as manias de simplificar e cortar as palavras. Se formos seguir à risca as regras de nosso próprio idioma, veremos que no caso do Esperanto não haverá muita diferença. Mas criou-se um senso comum que “é bonito falar feio”. E falar errado tem levado muita gente a escrever errado.
A simplicidade nas regras deste idioma leva a um aprendizado mais rápido e seu implemento mas imediato. As línguas naturais são cheias de variantes e possibilidades que para um estrangeiro seu aprendizado leva tempo e dificuldade. Veja quando um americano ou alemão troca a concordância entre as palavras, como: “Ele é uma menino bonita!” Não sabemos se estar-se falando de um menino ou uma menina. Isso é devido às variáveis do idioma. Para um estrangeiro a expressão que usamos constantemente “muito pouco” é extremamente confusa. Pois como algo pode ser muito e pouco ao mesmo tempo?
O Esperanto não permite essas variáveis. O artigo “la” é usado para ambos os sexos. O que determina o gênero são sufixos criados para este fim. No caso do feminino é usado no final da palavra o sufixo “ino”, como no exemplo: “patro” (pai) e “patrino” (mãe). Note que a palavra Patro já tem uma conotação bem semelhante a Pai. Outro exemplo? Pois bem, “bovo” (boi), e “bovino” (vaca). Portanto com o artigo fica: La Patro, La Patrino. La Bovo, La Bovino. Se compararmos com nosso Português, notaremos que tudo muda, surgem novas palavras, mudam-se os artigos, assim dificultando o entendimento no aprendizado e entendimento. Veja o exemplo: O Pai, A Mãe. O boi, A Vaca. São mais palavras a se aprender. Agora compare com os exemplos acima em esperanto.
É bom destacar que todas as palavras em esperanto são paroxítonas, ou seja, a segunda sílaba da direita para esquerda é a tônica. Assim Patro, lê-se pá-trô, tendo a sílaba forte “pa”. Patrino, lê-se pá-tri-nô, neste caso, o “tri” é a sílaba forte na pronúncia.
O plural é composto colocando-se um “j” no final da palavra com um som breve de “i”, não influenciando na pronúncia paroxítona da palavra. Note: Bovo, lê-se bô-vô, sendo “bô” a sílaba tônica. No plural fica “Bovoj”, pronúncia “Bô-vôi”, continuando a sílaba “bô” a forte. Já o artigo não varia nem no gênero masculino ou feminino quanto no plural, La Patro, La Patrino, La Patroj, La Patrinoj. Perceba que quase não há variações, mudanças, novas palavras que dificultem o entendimento do aprendiz e estudante.

SAUDAÇÕES

Seguindo em frente com nossa coluna sobre o idioma Esperanto, vamos comentar hoje sobre as saudações que utilizamos no dia a dia.
De início é bom deixar claro o porque das palavras serem seguidas de um “N”. Como vimos nas edições anteriores, o “N” implica em um objeto que sofre a ação de um agente anterior. Se dizemos: Bonan Tagon! (Bom Dia!), na realidade esta é uma frase elíptica, pois subentendem uma frase anterior, que seria: Mi deziras al vi bonan tagon! (Desejo-lhe um bom dia!). Em outras palavras, o que lhe desejo é um bom dia, por isso que em Esperanto usa-se o “N” no final.
Outras saudações são:
- Bonan Matenon! (Bom Dia! – Usado bem cedo, pela manhã até umas 10 hs);
- Bonan Tagon! (Bom Dia e Boa Tarde! – Usado até a tardinha);
- Bonan Vesperon! (Boa Noite! – Quando você está chegando à noite);
- Bonan Nokton! (Boa Noite! – Quando você está indo dormir);
- Dankon! (Obrigado!);
- Saluton! (Olá!);
- Gis Revido! (Até a vista!, Até breve!);

As formas de tratamento, títulos e nomes de gentileza em Esperanto podem ser usados da seguinte maneira:
- Sinjoro (Senhor), tendo sua abreviatura como “S-ro”;
- Sinjorino (Senhora), sua abreviatura é “S-ino”;
- Fraýlino (Senhorita), abreviando para “F-ino”;
- Doktoro (Doutor), abreviatura é “D-ro”;
- Doktorino (Doutora), abrevia-se “D-ino”;
- Professoro (Professor Universitário), abreviatura: “Prof.”;
- Professorino (Professora Universitária), a abreviatura é a mesma de Professoro, “Prof.”;
- Sankta (Santo ou Santa), abreviado para “S-kta”. Lembre-se de que “Sankta” é adjetivo, portanto não precisa de desinência do feminino.
- Samideano (Tratamento entre esperantistas. Quer dizer “Coidealista”), abreviatura: “S-ano”;
- Samideanino Forma no feminino para o tratamento acima), abreviando para: “Sino”.

Sendo assim podemos criar saudações no nosso dia a dia, tais como:
- Bonan Dion, sinjorino!
- Saluton, Doktoro!

Os exemplos podem ser vários. Mas é bom relembrar a pronúncia de cada letra com seu som típico e imutável. Além de que todas as palavras são paroxítonas, assim “Doktoro”, lê-se “Dôktôrô”, tendo a segunda sílaba da direita para esquerda como a tônica. E “Sinjorino”, não se deve dar som nasalizado na sílaba “Sin”, lê-se “Si-n”, com predominância do “n”. O “j” tem som de “rr” em nosso idioma. Sendo assim a pronúncia certa é: “Si-nrrôrínô”, tendo a sílaba “ri” como a mais forte na fala.
Para quem não tem as lições anteriores, me procure no e-mail : charlie.sxcx@ig.com.br.
Outro dia passou num programa da LBV um de seus delegados, um japonês, conversando em Esperanto com um brasileiro. Infelizmente não pude ver quem era o brasileiro, pois peguei no final da conversa. Mas este exemplo serve para mostrar a maleabilidade da língua em diversos países e culturas. Além de mostrar que realmente não está morta, que muita gente a utiliza como meio de comunicação universal, pois o mediador traduzia do português para o Esperanto, e de volta, do Esperanto para o português, mostrando que se o brasileiro tivesse conhecimento do idioma universal não haveria necessidade do tradutor. Tendo sons definidos e imutáveis para suas letras, o Esperanto consegue driblar os vícios de linguagem, os sotaques e peculiaridades de cada idioma, pois o japonês conversava com total naturalidade com o mediador brasileiro e a pronúncia do Esperanto de ambos era idêntica.

3 comentários:

Intraespo - uma ONGD disse...

Prezado Charlie,
parabéns pelas informações. Só quero fazer um esclarecimento:
não existem línguas naturais, em oposição à língua artificial. Todas as línguas foram criadas pelo homem, todas são convenções humanas. No início, elas nem tinham gramática. A primeira da língua portuguesa, por exemplo, só surgiu no séc. XVI.
A diferença entre o esperanto e as línguas nacionais não está entre "naturalidade x articialidade", mas em "língua nascida sem planejamento x língua planejada". Algo como a diferença entre Ouro Preto, que nasceu em torno de um garimpo, sem planejamento, e Brasília, que primeiro nasceu na cabeça de Lúcio Costar e Niemayer.

Pietro von Herts disse...

Gratulon kara amiko Chárlie.

Parabéns!
Fico feliz por ver sua divulgação e sua militância em pró do idioma transnacional esperanto.
As portas da Associação Zamenhof de Pouso Alegre está sempre de portas abertas para você e todos que se interessem pelo idioma aí em Cambuí e Camanducaia.

Fábio Silva
Associação Zamenhof

www.ekpa.cjb.net
www.sudminasa.wordpress.com

vras disse...

fala charlie, é o everton, depois vc visita ae
http://katarrosom.blogspot.com

coloquei alguma coisa do SxCx para download
forte abraco